domingo, 13 de fevereiro de 2011
Souza Pepeu fala em vídeo acerca do início da História do Central Sport Club
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Nova Edição da Revista Caruaru Hoje já está nas bancas!

Traz também reportagens (Mestre Eudócio, novo disco do caruaruense Ortinho), Gastronomia (Flávia de Gusmão escreve sobre a Casadilucio), dicas de cinema, livros, esportes e muito mais.
A Caruaru Hoje você encontra em todas as boas bancas de Caruaru e, no Recife, na Banca da Jaqueira e na Banca Paulista, no Mercado de Boa Viagem.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
1985 e a Ecologia
Hoje o tema ecologia é absolutamente recorrente. Mas o que dizer de alguém que há mais de 25 anos tratava a matéria de forma habitual? Esse é o nome que se dá aos visionários. Esse é o nome que tem que ser dar a Souza Pepeu. Com toda a celeuma envolvendo Serra dos Cavalos em Caruaru, há que se conferir reportagem do mesmo publicada no Jornal do Commercio no distante (ainda mais com o advento da internet) 17 de abril de 1985:"Os ativistas ecológicos costumam repetir que o homem vem desobedecendo às leis da natureza e se continuar a fazê-lo encontrará proximamente tão grandes dificuldades que jamais conseguirá vencê-las.
Em Pernambuco, Caruaru, ao criar uma reserva ecológica em terras da Serra dos Cavalos ficará como testemunha do que existiu no passado e que o homem como grande predador, destruiu ao longo de sua vida.
Com exceção de pontos como a Fazenda Caruaru, em Serra dos Cavalos a vegetação de tempo presente em toda área do denominado polígno das secas é raquitica. O ecológo brasileiro Vasconcelos Sobrinho diz que "além de exceção a área da Fazenda Caruaru com a vegetação atual é relíquia. "
Não é difícil concluir que dois terços de todo o território nordestino possui um clima bem diferente do que experimentamos hoje. O cientistam Vascocelos Sobrinho vem chamando a atenção para o deserto em que o Nordeste vêm aceleradamente se transformando.
A reserva florestal da Fazenda Caruaru conta com uma variedade de espécies diferentes de árvores no seu belo e rico conjunto, que sobrevivem em clima frio, em regiões dos Estados Unidos e Europa. Uma especie de pinheiro identificada nas terras da Fazenda Caruaru conhecida cientificamente como BODOCARPOS existe (ou sobrevive?) há cinco mil anos no planeta terra.
A preservação da área (são 354 hectares ao todo, dos quais 238 são floresta) poderá propiciar ao homem do futuro o caminho para estudo de espécie de valor genético e social imprescindiíveis no campo da reprodução e na preparação de novos medicamentos.
Como negar que o "Parque Ecológico Municipal Professor Vasconcelos Sobrinho" será um patrimônio de todos os habitantes de Caruaru e dos Brasileiros?
A Câmara de Vereadores de Caruaru discutiu e aprovou a mensagem do prefeito José Queiroz que solicita autorização do legislativo para conveniar com a Universidade Federal de Pernambuco tendo por objetivo a instalação de uma estação ecológica no Município de Caruaru, em Serra dos Cavalos.
O funcionamento efetivo do "Parque Ecológico Municipal Professor Vasconcelos Sobrinho" (consolidando o projeto de lei de nossa autoria, aprovado em maio de 1983 e sancionado pelo Executivo como lei que tomou o número de 2.796) protejerá os recursos naturais existentes na Fazenda Caruaru. E resguardará a vegetação do tipo climático úmido seco, a fauna e árvores raras no Nordeste com destinação científica-econômica compatível com a reserva ecológica.
Tudo, mas tudo mesmo, para conhecimento das gerações futuras.
Autor:Souza Pepeu
Fonte: JC, 17 de abril de 1985
A minha pergunta: poderia um texto ecológico ser mais atual? A foto é, realmente, de Serra dos Cavalos em Caruaru, Pernambuco.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O fecho de um ciclo.
Empenhado, fundou a Rádio Cultura do Nordeste. Em entrevista, foi perguntado porque escolheu o jornalismo como profissão, em resposta disse: “quando criança, imitava o meu tio Celso Rodrigues que era jornalista”. Nos seus quase 70 anos, 33 anos foram dedicados ao Sistema Jornal do Commercio, ainda trabalhou no Diario de Pernambuco, na TV Globo (chefe de reportagem), TV Tropical, (onde foi diretor em Caruaru), Jornal Vanguarda, (foi colunista) na Circuncisal do Nordeste (também vinculada ao sistema JC) e finalmente criou a revista Caruaru Hoje.
Em uma história interessante do passado, Souza Pepeu contou que em 1967, denunciou um surto de poliomielite que atingiu mais de cem pessoas, entre crianças e adolecentes. Graças a essa denúncia o governo agiu e controlou o problema, Souza disse que a maior satisfação foi ver que depois da denúncia o governo agiu.
Comunista declarado, Severino de Souza Pepeu contou ainda que a maior recompensa profissional veio quando ele publicou em 1970, denúncias de tortura, em seguida foi processado, quando julgado foi absolvido pelo juiz Aluiz Tenório de Brito. Se fez a seguinte indagação ao jornalista: Em algum momento a sua orientação política o atrapalhou profissionalmente? “De forma alguma. Eu sempre consegui deixar subentendido aos leitores o que não dava para escrever explicitamente.”
Essa não foi a primeira vez que Souza Pepeu foi alvo de repressão pela ditadura. Seu primeiro mandato de vereador foi cassado em 1964 em face da sua destacada atuação contra o golpe militar, tendo que sair de Pernambuco e se refugiar no Rio de Janeiro.
Souza Pepeu ganhou em 1969 o 1º lugar no Prêmio Esso/JC: "Cinquenta Anos de Fundação do Jornal do Commercio" pela matéria "Mãe, saudades sem fim".
Político atuante em prol das diretas já ao lado de Marcos Freire, Miguel Arraes e Fernando Lyra, Souza Pepeu em 1982 conquistou outro mandato como vereador de Caruaru. Visionário, seu maior projeto foi a criação da reserva ecológica de Serra dos Cavalos, o conhecido Parque João Vasconcelos Sobrinho, em um tempo que pouco, ou nenhum valor se dava ao tema ecologia.
Nós ultimos dez anos, Souza Pepeu se dedicou de corpo e alma a criação e manutenção da Revista Caruaru Hoje que traz carinhosamente como subtítulo "É o presente. É o passado que muitos olhos já viram".
Exercia também o cargo de diretor do Central Sport Club, clube que amava, assim como amava Caruaru.
Inesperadamente, em 25 de Agosto de 2010, Souza Pepeu foi convocado pelo andar de cima, em uma perda irreparável que o tempo não irá curar.
Perdeu Caruaru, perdeu a honestidade, perdeu a política. Perdeu-se um arquivo vivo da História de Pernambuco. Perderam muito mais seus amigos e familiares que não mais tem a sua presença e inteligência ímpar.
Souza Pepeu deixou do seu casamento com Clívia Maria Alencar Freire três filhos: a jornalista Fabianna Freire Pepeu, a mestre em computação Julianne Pepeu e o Procurador do Estado de Alagoas Sérgio Pepeu.
Em sua homenagem, ele que sempre defendeu a natureza, terá uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável com o seu nome: "Jornalista Souza Pepeu".
Souza Pepeu pediu que sua cinzas fossem jogadas nas proximidades da Saldanha da Gama, o que ocorrerá hoje. O ciclo se fecha. E Caruaru recebe em seu seio, quem sempre a amou.
*O presente post tem fragmentos da entrevista do jornalista às estudantes de jornalismo da FAVIP Laurisvânia Marques e Djeinyelle Marques.
Sérgio Pepeu
domingo, 31 de outubro de 2010
Dilma é eleita a primeira mulher presidente do Brasil.
Após quatro meses de uma campanha em que temas morais e religiosos ofuscaram propostas concretas sobre temas importantes à nação, Dilma Rousseff é eleita a primeira presidente da história brasileira. A candidata petista derrotou o tucano José Serra em um segundo turno em que a abstenção superou os 20 milhões de eleitores.
Com mais de 99% dos votos apurados, a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva não vai alcançar a votação de 2006 do atual presidente. Naquele ano, Lula obteve mais de 58 milhões de votos, e Dilma somou cerca de 55 milhões.
Na comparação com o primeiro turno, Serra conseguiu reverter o resultado favorável à petista no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. No início do mês, Dilma venceu em 18 Estados, Serra levou em oito, e Marina Silva foi a mais votada no Distrito Federal. As urnas abertas neste domingo deram a petista como vitoriosa em 15 Estados e no Distrito Federal, e o tucano vencendo em 11 Estados.
Dilma confirmou a força do PT no Nordeste, vencendo em todos os Estados da região, em alguns deles com votação superior a 70% dos votos válidos como Maranhão e Pernambuco. A presidente eleita também teve uma vitória importante em Minas Gerais, reduto do PSDB que elegeu o tucano Antônio Anastasia em primeiro turno.
Trajetória
Quatro segundos. Nenhuma palavra. Uma mesa distante da do chefe. Essa foi a participação de Dilma Rousseff na primeira propaganda eleitoral do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Oito anos depois, ungida por seu mentor para sucedê-lo, a ex-ministra, na primeira disputa eleitoral de sua vida, transcendeu a fama de gestora sisuda para se tornar a primeira presidente da história brasileira.
Sem programa, um de seus desafios será provar que não é apenas uma sombra de Lula, dizem analistas. Além da confiança do presidente, o grande trunfo da petista foi a política de alianças adotada pelo PT e pelo próprio presidente para elegê-la. Graças ao apoio formal de PMDB, PCdoB, PDT, PRB, PR, PSB, PSC, PTC e PTN, a campanha de Dilma ganhou força com o início do horário eleitoral obrigatório. Com isso, a candidata ganhou personalidade.
Ficou por pouco o triunfo já no 1º turno, depois de uma onda de rumores e outra de denúncias envolvendo seus aliados. Para vencer na votação de 31 de outubro, a ex-ministra-chefe da Casa Civil teve de renovar seu pragmatismo assinando compromissos com religiosos, iniciar campanha negativa contra o rival José Serra (PSDB) e trocar a gagueira que a abatia nos idos de abril, na pré-campanha, por aquilo que chamou de “assertividade”, mas que foi considerado agressividade pelos adversários.
No caminho para ser hoje a presidente eleita do Brasil, Dilma sofreu para ganhar trânsito com políticos em geral e com eleitores mais animados em ver seu mentor do que a ela própria.
Precisou de dois Josés Eduardos para guiá-la: Dutra, presidente do PT, e Cardozo, secretário-geral do partido. Obediente e pragmática, atendeu prontamente aos conselhos do marqueteiro João Santana. Adotou novo visual.
A presidente eleita forjada na campanha é diferente da especialista em energia que, com seu temperamento forte, foi alçada ao primeiro time do governo após o escândalo do mensalão, em 2005.
Neste ano, tentou aliviar a imagem da mulher que passava descomposturas em colegas ministros. “Sou uma mulher dura cercada de homens meigos”, costuma dizer, em tom de ironia. Buscou evitar confrontos, mas às vezes partiu para o ataque, principalmente em momentos-chave do segundo turno.
Momentos da campanha
Filiada ao PT há menos de uma década, a ex-pedetista Dilma conquistou seu primeiro cargo público pelo voto. No fim dos anos 80, ninguém pensava que a secretária de Finanças de Porto Alegre iria tão longe.
O mesmo se passou com quem a visse na mesma pasta do governo gaúcho, anos depois. Agora ela terá quatro anos para provar se é capaz de atuar como protagonista, e não como uma mera coadjuvante.
Sem programa
Dilma não precisou de uma Carta ao Povo Brasileiro –nos moldes da divulgada por Lula antes da campanha de 2002, indicando que não faria mudanças radicais na economia.
Mas, no segundo turno, comprometeu-se com questões religiosas. Após uma campanha contra ela em igrejas católicas e templos evangélicos, prometeu não enviar ao Congresso projetos que interfiram nesses assuntos. Assim, estancou a polêmica sobre sua posição a respeito da liberação do aborto.
“Em uma campanha com candidatos tão parecidos, essa carta foi um momento importante porque evitou maior acirramento e colocou as coisas no lugar”, disse ao UOL Eleições o cientista político Luciano Dias, do Ibep (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos).
“A Dilma neobeata foi mais um sinal de pragmatismo. É um sinal de que a governabilidade será tão ou mais importante do que foi para Lula, já que ela não tem o mesmo estofo”, afirma Dias.
A presidente eleita insistiu tanto na defesa de avanços recentes que nem sequer apresentou plano de governo. “Sabemos o que acontecerá na parte econômica? Não. Sabemos se haverá reformas? Não. O que sabemos é que Dilma terá a sombra de Lula do começo ao fim de seu governo”, afirma Cláudio Couto, da FGV (Fundação Getúlio Vargas). "O sinal dado por sua campanha é de que as coisas vão continuar mais ou menos como estão.”
Ainda assim, com tantas dúvidas sobre o que virá, não houve solavancos no mercado financeiro. Está subentendido que serão mais quatro anos de autonomia não-formal do Banco Central, de câmbio flutuante, de investimento em infraestrutura e de medidas macroeconômicas em fatias, raramente em forma de pacotes. “A conversão do PT já está feita. Lula vai sair carregado nos braços, e o mercado já não liga”, afirma Dias.
A volúpia do PMDB e de aliados à esquerda, como PSB e PCdoB, mais poderosos depois das eleições 2010, também acende dúvidas sobre se a presidente eleita será capaz de acomodar tantos aliados de primeira hora em seu governo.
Adversários acusam e aliados reconhecem: Dilma não terá a mesma capacidade de articulação exercida por Lula. “E seria diferente se Serra vencesse?”, pergunta Couto.
Sem teflon
Na campanha, a presidente eleita mostrou que aprendeu mais uma lição de seu maior defensor: deixar pelo caminho aliados que se envolvam em práticas suspeitas.
Na reta final das eleições, Dilma sofreu ataques dos adversários por conta de sua ex-braço direito na Casa Civil, Erenice Guerra, demitida do ministério depois que seu filho se envolveu com lobistas. Lula fez o mesmo com José Dirceu e Antonio Palocci.
“Não vou aceitar que se julgue a minha pessoa com base no que aconteceu com um filho de uma ex-assessora”, disse Dilma. As pesquisas citaram o caso Erenice como principal fator para a disputa do segundo turno.
“A popularidade do Lula é resultado de décadas. A maior parte da popularidade de Dilma não vem dela mesma”, afirma Dias, do Ibep. “Até pela folgada maioria no Congresso, ela será mais observada pela mídia.”
Alguns dizem que Dilma esquentará o principal assento do Palácio do Planalto para que Lula retorne em 2014. Outros preferem vê-la como uma mulher forte, que sobreviveu à prisão e ao câncer para golpear um cenário político repleto de caras antigas. Uns tantos a consideram uma burocrata que terá dificuldades para conduzir o país por falta de ginga com os políticos de Brasília.
Com uma trajetória que só começou a ser conhecida há poucos meses, talvez o Brasil precise de quatro anos para saber a resposta.
Faltam referências –e plano de governo divulgado– para definir-se o que Dilma buscará de diferente em relação a Lula. Se é que fará isso. O dado concreto –como a própria gosta de dizer– é que ela ascendeu de figurante em 2002 a estrela em 2010.
Fonte: Uol
Reportagem: Carlos Bencke e Maurício Savarese
